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Usuárias do CAPS de Cocal do Sul vivem experiência “Livre para Voar” por meio da metamorfose da borboleta

Publicado em 11/04/2019 às 15:14 - Atualizado em 11/04/2019 às 15:14

Borboletário foi montado para acompanhar o processo de evolução e observação

 

A sensação de liberdade, bater asas e voar ganhou a imaginação, motivação e situações de superação de 12 usuárias que compõem o Centro de Atenção Psicossocial de Cocal do Sul – CAPS. Um dos momentos mais belos da natureza foi vivido com intensidade e emoção por cada uma delas ao poder observar os ciclos da vida de uma borboleta.

 

A experiência única e marcante faz parte do projeto “Borboleta – Livre para Voar” desenvolvido pela professora de arte terapêutica, Agnes Félix Ribeiro. O trabalho teve início no ano passado e envolve arte, terapia, motivação, superação, evolução humana, observação e o amor pela vida diante das alegrias e dificuldades.

 

“Nós trabalhamos a metamorfose da borboleta como um processo continuo no ser humano, ou seja, além da beleza da cena, saber que de uma lagarta muitas vezes tímida, possa nascer algo tão deslumbrante, colorido e belo, é algo transformador. O processo é lento e doloroso em que a lagarta sofre para sair do casulo. É uma etapa que envolve maturação e persistência para ela se tornar uma borboleta. Assim como as lagartas, o ser humano para a sua evolução, plenitude e felicidade passa por incertezas, obstáculos e sofrimento. É um momento de enfrentamento das dificuldades, muitas vezes difícil suportar, mas possível de se alcançar”, explica Agnes.

 

Tudo começou com a criação de um borboletário. Um ambiente foi montado para que todo o processo da metamorfose da borboleta pudesse ser acompanhado de perto até ela nascer e voar.

 

“Elas amaram, foi incrível o resultado desta experiência. Uma sensação de liberdade. Na verdade o que nós queremos das nossas usuárias. O nosso Caps é uma passagem para que elas possam voar, se desprender do que as impedem  de se desenvolver. E o processo de metamorfose mostra isso. Cada uma tem o seu momento. Iniciam o tratamento terapêutico, fazem uso de medicação e há todo um suporte emocional para que possam sair desse casulo e ganhem o mundo lá fora”, observa Agnes.

 

A usuária Vilma Bez Fontana guarda tudo o que observou. “Foi incrível. Nós colocamos as folhas de couve, as lagartas se formaram, os casulos ganharam forma,  transformaram-se em lindas borboletas e voaram. Uma custou a sair. A gente acompanhou todo o desenvolvimento, dificuldade e sofrimento, e ela conseguiu voar. Isso foi uma coisa muito boa pra gente ver o que é a vida. Que bonito! Veio em mente a minha mãe ao dar a luz, de parto normal. Quanta dor e hoje estamos aqui vivendo várias metamorfoses em nossa vida e tendo a oportunidade de voar e estamos voando novamente com esse tratamento que temos no Caps”, recorda.

 

A usuária Marlei Cardoso Vieira compartilhou uma experiência de infância durante o projeto que hoje vive com sua filha. “Eu tinha 10 anos, vi um casulo e ele estava se mexendo. A borboleta estava com uma asinha de fora e passava muito trabalho para poder tirar a outra. Eu fui ajudar, mas não sabia que estava prejudicando. Ela acabou saindo com a asa atrofiada. Fiquei muito triste na época, pois só queria ajudá-la. Hoje vivo isso com a minha filha: deixar a minha borboleta voar sozinha. Não tirei a asa dela e ela voou. Choro porque gostaria que ela estivesse perto, mas aprendi que a gente precisa deixar os filhos ganharem o mundo sozinhos”, relata.

 

Terapia que vira arte  

Cada uma com suas formas e motivos para voar, a cada encontro a criatividade e motivação das usuárias se transformam em peças decorativas que ganham os espaços da sede do CAPS. As borboletas compõem um cenário vibrante e por meio da pintura, embelezam muros, garrafas, tiaras, móbiles, painéis, entre outros. Tudo feito com materiais alternativo.  

 

“Isso nos motiva. Tudo o que sentimos pintamos. As borboletas estão por toda a parte e lembramos delas de uma nova vida que nasce para voar dentro da gente”, afirma dona Vilma.

 

A professora explica que o projeto será concluído nos próximos meses com uma exposição de almofadas.

“Nós estamos utilizando a técnica de pintura e tecido de algodão com tinta de tecido para a confecção das almofadas. Tudo feito por elas. Nossas experiências também estão contidas no caderno criativo que cada uma possui”, finaliza Agnes.

 


Galeria de Fotos

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